Tendências tipográficas para 2025
Chegaram as nossas Type Trends!
Trabalhar com design é, todo ano, passar por 365 dias de consumo ininterrupto de estímulos visuais. Projetos de branding, atualizações de marcas, videoclipes, filmes, memes, comunicação visual popular, iniciativas autorais independentes. Tudo isso gera insumos para pensarmos sobre o cenário de design.
Essas referências também acabam formando certas categorias, criando padrões que todos nós conhecemos como tendências. E, apesar de muita gente não gostar de admitir, a tipografia também vive de tendências e modas. Aqui, reunimos dez temas que estarão em alta no type design e design gráfico em 2025.
1. That 70s Type
Os anos 1970 estão com tudo no mundo da tipografia. Os títulos tão apertados que quase se tocam (seguindo a famosa máxima de “tight, not touching” que guiava a criação dos cartazes em fotocomposição no século passado); as fontes Art Nouveau contemporâneas; a direção de arte que parece vir de anúncios da era dos mad men.
Projetos como o rótulo do molho de tomate Sorry Nonna se conectam à nostalgia de pessoas que viveram os 1970 e 1980 intensamente e agora já são consumidoras maduras, mas saudosas.



2. Perspectiva é tudo
Há várias formas de fazer a tipografia dançar em um layout. Alguns anos atrás, por exemplo, a tendência era usar vários pesos e larguras de uma fonte ao mesmo tempo, usando todas as possibilidades das super famílias tipográficas variáveis para dar a impressão de movimento. Hoje, vemos uma forma diferente de criar ação com imagens estáticas: brincar com a perspectiva das letras.

Lá em 2022, um projeto importante plantou a sementinha para essa tendência aparecer dois anos depois. Estamos falando da identidade criada pela Johnson Banks para Jodrell Bank, um local promovido pela UNESCO como um centro significativo para as ciências e cultura mundial.

A solução inspirada pelo telescópio mostra o nome em perspectiva de acordo com a rotação do telescópio. Engenhoso, né? Fato é que essa identidade causou impacto e lançou ondas lá em 2022. Palavras distorcidas para que pareçam flutuar no espaço. E em 2025 parece teremos que virar bastante nossas cabeças para ler palavras em ângulos incomuns.
A dinâmica dessas distorções ganha ainda mais força quando vistas em movimento. Por isso, espere ver elas em uso em projetos esportivos, de jogos coletivos a corridas a motor.
3. No centro do mundo havia um círculo
Neste ano, o mundo tipográfico girou em volta das bolinhas. Literalmente. As contraformas perfeitamente circulares envoltas pelas curvas mais expressivas trouxeram para 2024 uma sensação dos anos 1970. Inclusive, como spoiler da nossa lista de tendências, já escrevemos um post inteiro sobre as contraformas de bolinha, com muito mais detalhes e exemplos.
Veja o projeto gráfico da sequência de singles que inclui “Asfalto Selvagem” da Tássia Reis, desenhado por Leandro Assis, por exemplo. Partindo da NuForm Ozik, fonte inspirada por sua vez no clássico Vol. 4 do Black Sabbath, o Lê simplesmente brilhou com um lettering de formas tão inusitadas quanto saborosas.

Repara na letra ‘f’ cabendo na altura-de-x em asfalto, no ‘g’ que cria uma dinâmica que conecta a frase à ilustração. Repare, principalmente, nas contraformas das letras. Tão redondas. Tão simpáticas. Tão aconchegantes.
4. Sans que adorariam ter serifas
No manual básico de tipografia, costumamos definir fontes com serifa como “elegantes”, enquanto fontes sem serifas aparecem — de maneira geral — como neutras, despojadas ou informais. Mas a coisa nem sempre é tão preto no branco assim. As sem serifas às vezes roubam algumas das características que geralmente ficavam restritas às suas primas serifadas, como o alto contraste (uma diferença grande entre os traços finos e grossos).
Não é uma regra, mas as fontes com serifas geralmente têm contraste mais alto do que as sans, pois o contraste é um efeito natural das ferramentas que definiram a base caligráfica desse tipo de letra, muitos séculos atrás. As letras sem serifas são bem mais jovens e são mais desenhadas do que caligrafadas, por isso não vêm com o constraste “de fábrica”, por assim dizer.
Mas não é como se as sans com contraste fossem exatamente uma novidade; elas só tem crescido bastante atualmente. Por exemplo, a Optima, uma sans de alto contraste, sempre esteve presente na paisagem tipográfica de grandes marcas. Quando o assunto é elegância, suas proporções inspiradas nas clássicas romanas da antiguidade e o contraste alto entre partes finas e grossas das letras, mesmo não tendo serifas, representaram o equilíbrio entre elegância e contemporaneidade.
Nos últimos anos, novas representantes deste modelo apareceram e tomaram um espaço antes destinado à essa fonte clássica desenhada por Hermann Zapf em 1958.

Marcas populares, como O Boticário, já fazem uso de fontes sem serifa com contraste há algum tempo. No mundo das cervejas, a Spaten — projeto da Ana Couto + Fabio Haag Type — foi uma das precursoras desta manifestação tipográfica. A família Spaten sai de uma sem serifas de altíssimo contraste a uma sans quase sem contraste.
No setor financeiro, desenhamos para a Avenue — produto de investimentos em dólar do Itaú — uma família tipográfica nesta linguagem a partir do logotipo criado pelo time da iN Marcas e refinado por nós. Para tamanhos pequenos, baixo contraste e espacejamento respirado. Para a camada de marketing (ou seja, títulos) o contraste fica lá no alto, com proporções compactas e um desenho mais elegante.

5. O não design
Designers costumam ser pessoas bem descoladas, mas a verdade é que não há nada mais descolado do que não se importar com design, diz aí. É por isso que uma tendência fortíssima para o ano que vem é o design que finge que não quer saber de design. Para transmitir essa imagem de indiferença, é essencial usar fontes de sistema: Arial, Minion Pro, Times New Roman e Myriad são as escolhas corretas caso você queira fingir que não está fazendo design.

Em 2024, essa tendência foi impulsionada pelo fenômeno do brat summer, novo estilo de vida para os jovens indie, derivado do álbum “brat”, da artista pop Charli xcx. Um dos álbuns mais comentados e influentes do ano, brat traz na capa uma Arial em peso regular, espichada e em baixa resolução sobre um fundo verde chapado. Essa descrição pode soar como o terror de designers e tipógrafos, mas é claro que tudo foi pensado cuidadosamente por um designer (Brent David Freaney) para parecer exatamente assim, sem contar com os cinco meses de trabalho com a artista até a equipe criativa entender que caminho queriam seguir com a capa. Tá vendo? O não-design dá tanto trabalho quanto o design!

6. Um toque infantil
A tendência que vamos comentar agora não está tão distante da anterior. Em comum, a vontade de fazer algo que foge da cartilha do suposto “bom design”. A ideia é parecer espontâneo, pouco rebuscado e divertido. Também funciona como uma forma de criar interesse visual usando pouquíssimos recursos: uma fonte, uma borda nas letras e uma cor diferente para preenchimento e outline. Só com isso já é possível criar um layout expressivo, mesmo usando fontes neutras.
O bônus é que tudo parece mais singelo com esses elementos. Se esse é um atributo que você está procurando em um projeto, já pode testar esse trend. E aí, não tem algo de “brat” em colocar um stroke colorido na tipografia? Se quiser, também pode chamá-la de “estética CorelDraw”!


7. Tipografias fotográficas
Quanto mais inteligência artificial de um lado, mais processos manuais do outro. Enquanto uma parte significativa da produção de design e arte estiver se tornando mais robótica e sem alma, vai haver quem reage a isso. E assim alguns processos criativos analógicos são recriados, relembrados ou emulados.

A fotografia analógica, por exemplo, passa por um grande boom atualmente, e cada vez mais as imperfeições vão sendo abraçadas na criatividade. Na tipografia, vemos o crescimento de fontes borradas, como se tivessem um desfoque natural. Elas também podem aparecer com letras tocando umas nas outras e contraformas desaparecendo. Não tem erro: se você quer um toque humano, acrescente textura.
Quer ir na origem dessa trend? Dê uma olhada no trabalho do Neville Brody com a fonte FF Blur e nas experimentações tipográficas da FUSE nos anos 90.
8. Cantos arredondados
Dá para ver que um dos temas que vai dominar o design em 2025 é a autenticidade. Cada vez mais, é preciso convencer o público de que a sua iniciativa é genuína, que tem gente e carinho por trás dela. Cantos arredondados nas letras são uma forma relativamente simples de criar um visual simpático, com proximidade.
Mas é importante reparar que essa não é a terrível tendência “cutting-corners” do Tumblr, nem aquele canto arredondado automático do Illustrator e outros programas de edição de vetor, porque eles acabam se tornando um simpático-automatizado, o que é um meio-termo esquisito. Essa tendência usa os cantos arredondados para dar vida às letras, às vezes até exagerando nas curvas, tanto nas formas, como nas contraformas, para realmente enfatizar seu aspecto fluido.
Métodos de produção maker como as máquinas CNC de alguma forma influenciam esse tipo de acabamento, onde a quina viva em 90° não tem vez.

9. De volta para a Futura
Diz o ditado anglófono que “old habits die hard” ou, em bom português: nossas manias são Duras de Matar (para manter os trocadilhos cinematográficos). Mesmo os grandes clássicos passam por momentos de alta e baixa, ainda que estejam sempre em pauta. Esse é o caso da Futura, que nunca saiu de moda, mas que agora parece ter sido redescoberta como “o novo legal”. De novo. Outra vez.

A Futura se passa por neutra, mas sempre traz uma personalidade inconfundível. E é quase impossível não gostar dela. Mesmo quem não é muito ligado em fontes consegue bater o olho e saber que é uma fonte estilosa.
Um caso marcante do ano de 2024 foi o rebranding da PayPal, que já tinha uma fonte proprietária, uma sans humanista desenhada em 2016 pela Klim Type Foundry, e que decidiu mudar novamente sua paleta tipográfica. Sai a PayPal Sans (definitivamente uma das nossas fontes customizadas favoritas da vida, diga-se de passagem) e entra a PayPal Pro, uma adaptação da LL Supreme (Lineto Type Foundry). Ela, por sua vez, baseada na Futura.
Agora a marca possui uma tipografia que compõe o logotipo e as aplicações de comunicação ao mesmo tempo.

Se a ideia era que a marca aparecesse revigorada com a mudança, a execução funcionou. A nova cara da PayPal é viva e estimulante. Do outro lado, ela não se diferencia tanto do que já vem sendo feito no mercado de branding para fintechs.
10. Curvas encantadas

Que fontes serifadas muitas vezes são usadas para passar uma ideia de sofisticação, todo mundo já sabe. Mas as letras desta tendência dão um passo além. Com certos ornamentos e ligaduras, elas evocam um aspecto quase mágico, um encantamento ancestral. Lá no fundo, elas trazem um quê de arte sacra que foi desvirtuada. Não se surpreenda se esse tipo de fonte sair das capas de livros de fantasia e aparecer em vários outros lugares — incluindo branding —, só pelo estilo!

Identificar tendências é sempre um trabalho em andamento, e tem que ser assim! Não pretendemos que essa seja uma lista definitiva ou uma previsão que tiramos da nossa bola de cristal. Esta lista é uma mistura de observação, aposta e nossa prática diária. E como ela nunca fica 100% pronta, queremos ouvir de você também: o que tem identificado como tendência tipográfica? O que acha que vai estar em alta no design ano que vem?








Mto bom, tks
Que texto gostoso de ler!